Alexandra Castro – Aulas de Yoga no Centro Nori

Yoga (lê-se iõga — ióga é segundo o sotaque brasileiro — e é do género masculino)

O que é?

Yoga quer dizer «união». O Yoga de tradição e essência técnica pode ser entendido a partir da definição erudita de Patañjali, que por volta do séc. III antes de Cristo codificou em sânscrito (a escrita da antiga Índia) as suas técnicas, estádios e objectivos, no Yoga-Sutra. Escreveu ele que « Yoga Chitta Vritti Nirodhah», significando isto «o controlo das funções da mente». A segunda tradução, mais técnica e fazendo já referência aos meios e seus fins, diz que « Yoga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao «Samandhi» (libertação, no sentido de termos um controlo total sobre o funcionamento do nosso corpo e da nossa mente, agindo apenas de acordo com a nossa vontade). A terceira e última tradução, de raiz popular, é « Yoga é uma filosofia prática de vida».

Os oito ramos

Os textos antigos definem oito ramos do Yoga. Há quem lhes chame oito degraus, expressão menos correcta se entender-mos que não se passa de um para outro em sequência, mas sim que eles evoluem todos ao mesmo tempo. Não são mais do que os domínios em que se sentem os efeitos do progressivo apuramento do nosso equilíbrio físico e mental, clarificando a nossa consciência das coisas e a nossa auto-confiança.

A negro, o nome em sânscrito. Depois a definição original. E, entre parêntesis, suas deturpações ocidentais servidas, nas palavras do mestre Carlos Rui, «em pazadas de moralidade judaico-cristã.» Yama: atitudes para com os outros («abstenções, não violência, controlo da energia sexual, não roubar…»). Niyama: atitudes para com nós próprios («austeridade, rendição do ego»). Asana: postura ou práticas corporais (nenhuma adaptação especial). Pranayama: práticas de controlo da respiração («controlo da energia vital»). Pratyahara: uso controlado dos sentidos («abstracção dos dados dos sentidos»). Dharana: capacidade de localizar a atenção («concentração da mente»). Dhyana: capacidade de nos deixarmos influenciar pelo objecto em que nos concentramos («meditação»). Samãndhi: super consciência (nenhuma adaptação, embora quem tenha uma atracção pela mística possa associar este estado a espécie de levitação).

Dois nomes

  • No meio de tantos gurus, falsos, verdadeiros e mais ou menos, a única referência fora de qualquer suspeita é B.K.S. lyengar, natural de Pune, na Índia, professor de Yoga há mais de sessenta anos, autor do livro Light on Yoga e responsável pelo estabelecimento da imensa série de posturas hoje mais treinadas.
  • No meio de tantas pessoas que dizem praticar Yoga pelas mais estranhas razões (Julia Roberts já garantiu que «não é para mudar a minha vida, mas sim o meu rabo»!!! Sting afiança que esta prática favorece as performances sexuais — do que, tendo em conta o que acima ficou dito não temos razões para duvidar), vale a pena ouvir Madonna (e ir para casa a pensar nisso): «O Yoga é uma metáfora da vida… tens de levá-lo com calma, não te podes precipitar, não podes saltar para a posição seguinte, dás contigo em situações humilhantes [por seres obrigado a admitir que não és capaz de fazer isto ou aquilo e que tens de aprender humildemente tudo do zero], só tens de respirar, de te deixar ir, e tudo se passa muito lentamente… mas tem óptimos resultados ao nível do corpo e da alma.» Sim senhora.

OM – O mais abstracto dos mantras —símbolos sonoros para concentração da mente, como instrumento da meditação.



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