Dirigido a todos os “jovens” dos 3 aos 120 anos, o Yoga é a prova de que é possível criar saúde na arte, desenvolvendo o físico a par da mente. Uma obra de arte oriental no presente e para o futuro. Em nome de uma melhor qualidade de vida!

Hora de “ponta” na capital, e o trânsito não perdoa. À semelhança dos peões que se agitam furiosamente na rua para chegar a horas ao emprego, os veículos exibem manobras e buzinas…

Tudo, para não perder tempo. No caos urbano, tão matinal, é quase impossível escapar a este cenário, a não ser que se esteja precisamente no centro.

No Centro Português de Yoga. Fica localizado numa rua de Lisboa, movimentada como tantas outras, mas onde a confusão é imediatamente esquecida ao passar da porta. Através das cores, da decoração confortável, propõe-se a harmonia do corpo à mente. E é feita em silêncio absoluto, quebrado apenas pela respiração profunda dos praticantes, que o empenho e o esforço dos exercícios assim o exigem. Pois, então, silêncio, que se vai praticar o Yoga.

Todas as posturas colocadas em prática têm um nome específico e efeitos particulares. Podem ser agrupadas em grandes conjuntos (de pé, sentadas, de anteflexão, retroflexão, torção, flexão lateral, musculares ou invertidas), devendo, ser interligadas para formar sequências.

“Como na vida, tudo sai melhor se for feito na sequência certa. E o segredo do yoga é saber colocar as sequências apropriadas nas técnicas físicas (os Ásanas), nas técnicas respiratórias (Pránáyáma), de relaxamento (Yoganidra), e ainda nas de meditação (geralmente, denominadas de Ohyana)”, começa por explicar Carlos Rui, professor de Yoga, e cujo interesse por esta arte o levou, há alguns anos atrás, a viajar ao local da origem. E é até à índia que faz questão de viajar todos os anos para aprender e estudar com os professores mais credenciados.

Contudo, apesar do berço desta arte estar no Oriente, muito provavelmente algures no Vale do Indo, “o que interessa no Yoga é algo universal”. Por isso, segundo Carlos Rui, “qualquer objectivo é válido para praticá-lo”. Ainda que este seja bem concreto: “conduzir o praticante a um estado descondicionado de mente, que implica a sua libertação, ou seja Moksha, como é conhecida no yoga”.

Romper estados condicionados: físicos e mentais

À primeira vista, a aula de yoga pode parecer não passar de uma sessão de ginástica, composta por exercícios de flexibilidade, resistência ou coordenação motora.

Mas quem diria que o conjunto de todos estes movimentos “implica 90% de actividade mental e 10% de actividade física”? Os Ásanas obedecem a critérios de alinhamento corporal precisos, sempre sincronizados com a respiração e a colocação da atenção.

Os praticantes também estão a fazer meditação, enquanto estão em movimento. É uma meditação dinâmica, embora também existam alturas em que o corpo está imobilizado.

Nesta aula, onde os praticantes já são do nível intermédio B, sabem que cada movimento implica o colocar dos olhos e da língua de uma determinada maneira, assim como fazem a contracção dos plexos, a compressão das glândulas e a concentração da atenção em determinadas zonas do corpo.

Há um processo de meditação que não é visível exteriormente”. Pois, segundo explica o professor, “a mente é uma extensão do corpo. E é praticamente impossível separá-los.

Cada pessoa é, assim, a sua própria história e, fisicamente, a nossa relação com o mundo, com as emoções, com as estruturas intelectuais e com o nosso processo de aprendizagem, vão formar a nossa própria estrutura de psicomotricidade.

A forma como assumimos a nossa fisicalidade (a maneira de colocar os ombros, de sentar…) está intimamente relacionada com o nosso programa mental”. Ora, ao iniciar a prática do yoga, ele vai “romper com essas fronteiras e esses estados condicionados, físicos e mentais, porque desenvolve outro tipo de consciência física”. Daí que a sua acção sobre o corpo seja profundamente mental (ver caixa Benefícios Mentais).

O Yoga é, antes de mais, um processo de aprendizagem, “que demora alguns anos a ser aprendido, dado que envolve um desenvolvimento interior e pessoal. E cada pessoa é uma pessoa especial e particular, com o seu próprio processo de aprendizagem”.

O praticante de Yoga

A quem se dedica, então, o Yoga? “A todos os jovens dos 3 aos 120 anos”, responde o professor.

“Não se dedica, por exemplo, a velhos de 20 anos, pois, com certeza, encontrarão outras actividades muito mais apropriadas ao seu grau de mobilidade e de falta de vontade de fazerem algo pela sua própria vida”. Tem 82 anos, o “jovem” mais velho das aulas de yoga do professor Carlos Rui.

Começou a praticar aos 70 e, hoje em dia, “movimenta-se melhor do que quando tinha 30 anos, tendo em atenção, obviamente, as limitações impostas pelo passar dos 70 anos” (ver caixa Benefícios Físicos).

Pois, conhecido o perfil do potencial praticante de yoga, vale a pena ficar a saber quem é o bom praticante de yoga: “aquele que pratica yoga com o objectivo de melhorar a qualidade de vida e o bem-estar, é natural que tenha mais preocupações com a nutrição, no sentido de não agredir o organismo.

O yoga não impõe um estilo de vida ou uma dieta, mas é natural que os praticantes comecem a fazer uma alimentação mais à base de cereais, vegetais, evitando os produtos processados quimicamente. É provável também que deixem de fumar ou até de passar as noites aos saltos na discoteca, pela razão de se quererem levantar bem dispostos no dia seguinte para fazer yoga.

E também que fiquem mais ecológicos, na medida em que ganham uma consciencialização maior do seu corpo e do facto de que a Terra é que nos alimenta.

Obviamente que o praticante de yoga é uma pessoa mais interventiva socialmente e com uma maior tolerância ao mundo que a rodeia. Acima de tudo, está integrado na sociedade, desenvolvendo-se física e intelectualmente”. E, se ao fim de 3 anos de praticar yoga, a pessoa não melhorar nessas áreas, Carlos Rui garante que, então, é “porque esteve simplesmente a fazer contorcionismo”.


 

O yoga é das poucas artes que actua profundamente sobre os orgãos internos e a saúde advém do equilíbrio desses órgãos.”

Utthita Hasta Padangusthasana (exercício de alongamento, para controlo e desenvolvimento do equilíbrio)


 

Yoga – Benefícios Físicos

Coordenação motora

Fortalecimento das estruturas musculares e articulares

Acção profunda ao nível do estímulo da densidade óssea ‘temos alguns praticantes que fazem estudos de densitometria com regularidade e que têm aumentado, sobretudo, a nível das articulações coxo-femurais, joelhos e articulação sacro-lombar, que são zonas, geralmente, muito desvitalizadas pela osteoporose. E a verdade é que as densitometrias aumentam, de ano para ano, até chegarem praticamente aos limites normais, num período de 2 ou 3 anos.”)

Recuperação de peso, no caso de ter peso a menos

Perda de peso, no caso de ter peso a mais. (Desenvolvimento das fibras longas musculares, o que se faz com que se perca massa muscular, quando esta é excessiva)

Yoga – Benefícios Mentais

Maior capacidade de concentração,

Maior capacidade de mobilização,

Maior controlo das emoções

Bem estar e tranquilidade, “que nada tem a ver com apatia”

Kronnchasana (fortalecimento da zona lombar e extensão dos músculos da parte de trás das pernas)

“O yoga vai romper com as fronteiras e estados condicionados, físicos e mentais, desenvolvendo um outro tipo de consciência física”

Parivrtta Trikonasana (exercício com acção sobre os rins e aparelho digestivo)

“Acima de tudo, o praticante de yoga está integrado na sociedade, desenvolvendo-se fisicamente e intelectualmente”



Facebook Comments Master

Share This

Share this post with your friends!